MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA


PORTUGUESE LANGUAGE MUSEUM

Location
Bragança - Portugal
Status
Competition Proposal
Client
Município de Bragança
Date
2017
Team
Bruno André + Francisco Salgado Ré, Rafael Ramalho, João Oliveira, Nuno Almeida
Consultants
GEG

MPL---LOGO

 

I. (do corpo arquitetónico)

Ao longe, o edifício assume sem medo a sua massa corpórea na paisagem. Como um grande animal na planície, que não se consegue – nem deve – esconder. Assim, o corpo-sem-medo, comunica à distância com a imponência da sua massa, assumindo a volúpia serena das formas. Corpo-palavra, marco referência na paisagem, ele torna-se rosto da cidade, símbolo e afirmação cultural da sua identidade. A sua pele, face visível do corpo, é tela onde se escrevem textos. A matéria exposta revela o seu significado; ao longe o edifício comunica, enquanto grande veículo de mensagem visível e enquanto metáfora do seu carácter e propósito.

I. (of the architectural body)

At distance the building assumes without fear its corporeal mass in the landscape. Like a great beast on the plain, you can not – and should not – hide. Thus, the fearless body communicates at a distance with its imposing mass, assuming the serene voluptuousness of forms. Body-word, landmark in the landscape, it becomes the city’s face, symbol and cultural affirmation of its identity. His skin, visible face of the body, is a canvas where words are written. The exposed matter reveals its meaning; in the distance the building communicates, as a great vehicle of visible message and as a metaphor of its character and purpose.

II. (na praça havia um pássaro)

À chegada recebe-nos uma praça, cuja amplitude sublinha a força vertical do edifício que nos ladeia. A praça é o vazio compositivo onde cabe o ar que faz respirar o dorso do animal arquitectónico. Certo dia, nesta praça, somos recebidos por música. Outros dias apenas o silencio do nevoeiro frio que se deita na paisagem bucólica e envolve o objecto/corpo em densidade mística. Nas manhãs, os pássaros que poisam lá no alto dos cilindros verticais. É lá que ansiamos chegar. Ao topo revelador da paisagem, como vigias guardiões do território envolvente.

II. (there was a bird in the square)

Upon arrival you are embraced by a square, whose breadth underscores the vertical force of the building that borders on us. The square is the compositional void where the air fills the breath of the architectonic animal. One day, in this square, we are welcomed by music. Other days only the silence of the cold fog that lies in the bucolic landscape and wraps the object/body in mystical density. In the mornings, the birds stand high in the vertical cylinders. That’s where we long to get. To the revealing top, like watchmen guardians of the surroundings.

R06---INTERIOR-SILOS---COM-FILTROS-02

III. (do suspense)

Entramos numa espaço amplo, de escala humana, confortável e acolhedor, de tecto curvilíneo, que percebemos ser consequência das formas. Percebemos também que ali há um antes e um depois. Percebe-se o tempo e o gesto no espaço. E a presença da curvatura do tecto que provoca uma estranha sensação de suspense, como adivinhando algo dramático que está para acontecer.
Seguimos a sensação, levados ao longo da curvatura que nos abraça superiormente. Sentimos estar a entrar no ventre do animal arquitectónico. No peito do gigante vivo. Passada a barreira, lá dentro, o espanto! A grandeza dramática do vertiginoso vazio vertical erguido em direcção ao céu e à luz. Sobre nós um percurso que cruza o espaço e o vazio. Antevemos um caminho, tal destino vislumbrado desde o chão, que nos levará ao topo. Há uma vontade latente de descoberta. Há um desejo indisfarçável, quase infantil, de subir, de trepar, como se ramos de uma árvore se tratassem.

III. (from the suspense)

We enter into a wide space, with human scale, comfortable, cozy and with a curvilinear ceiling, which we perceive to be a consequence of forms. We also realize that there is a before and after. Time and gesture are perceived in space. And the presence of the curvature of the ceiling that causes a strange sense of suspense, as if guessing something dramatic is about to happen.
We follow the sensation, taken along the curvature that embraces us above. We feel we are entering the belly of the architectural animal. In the chest of the living giant. After the barrier, inside, the astonishment! The dramatic greatness of the vertiginous vertical emptiness erected toward the sky and the light. Over us a path that crosses space and emptiness. We anticipate a destination glimpsed from the ground, which will take us to the top. There is a latent desire for discovery. There is an undisguised, almost childish desire to climb, to climb, as if it was a tree branch.

 

IV. (no interior do corpo se descobre a língua)

E dá-se inicio à verdadeira viagem. É dito que o melhor de cada viagem é o caminho percorrido. Aqui também, o caminho é revelador de surpresas, guardador de conhecimentos, de experiências e do saber. Somos levados por uma aprendizagem cronológica, numa viagem vertical, de patamar em patamar, em direção ao conhecimento, feito de luz e céu. Novamente, o céu é destino e é lá ao alto que queremos chegar.
Sequencialmente, da cada lado do corpo arquitectónico, vão surgindo os espaços. Cada um oferecendo uma nova experiência, uma nova aprendizagem, um novo passo em direcção ao topo. Cada um com a sua identidade, com a sua voz, com a sua mensagem, com os seus conteúdos. Como órgãos interiores do corpo, com as suas formas e propósitos distintos.

IV. (Inside the body the tongue is discovered)

And the true journey begins. It is said that the best of each trip is the path traveled. Here too, the path reveals surprises, has a keeper of knowledge and experiences. We are led by a chronological learning, in a vertical journey, from level to level, towards knowledge, made of light. Again, the sky is destiny and it is up there that we want to reach.
Sequentially, on each side of the architectural body, spaces emerge. Each offering a new experience, a new learning, a new step towards the top. Each one with its identity, with its voice, with its message, with its contents. As interior organs of the body, with their different forms and purposes.

CORTE-FINAL---FILTROS

V. (e a língua que nos acompanha)

Entre as salas que descobrimos na sequencia (crono)lógica da viagem, cruzamos o espaço vazio através de rampas, como ramos de árvore que desafiam a gravidade e se lançam em direção ao céu. E somos levados numa ascensão segura, que eleva o corpo e o espírito. Pausadamente, como o respirar calmo de uma leitura, viajamos através do peito do animal-objeto. Nas paredes projectam-se mensagens, textos, frases, imagens. Provérbios que nos seguem. É a língua em movimento, enquanto expressão da sua forma pela escrita.

V. (and the language that accompanies us)

Among the rooms we discover in the logical sequence of the journey, we cross the empty space through ramps, hanging like tree branches that defy gravity, launched into the sky. We are taken on a safe ascent, which raises both body and spirit. Paused, like the calm breathing of a reading, we travel across the animal-object chest. On the walls we see projected messages, texts, phrases, images. Proverbs that follow us. It is the language in motion, as an expression of its form through writing.

VI. (do privilégio do zénite)

Chegados ao topo: a paisagem, a luz, o céu. Apogeu zenital, auge máximo, lugar ultimo onde repousar. A alegoria do caminho percorrido, das experiências vividas, do saber conquistado. O privilégio, antes reservado aos pássaros, de poisar no topo, de ver ao longe, lá de cima a olhar para baixo. Atrás de nós o caminho, tal história vivida. História de um povo, de uma língua e da identidade que nos distingue.

VI. (from the privilege of zenith)

Arriving at the top: the landscape, the light, the sky. At the zenital apogee in the maximum height, the allegory of the way traveled, the lived experiences, the knowledge conquered. The privilege, once reserved for the birds, to lay on top, to see afar, from above to look down. Behind us the way, such a lived story. History of a people, a language and the identity that distinguishes us.

VII. (sabida a língua)
Nem só da ida se faz a viagem. A volta faz-se por outro caminho, este mais rápido e imediato, que nos devolve ao chão. Lá descansamos, recordamos, lemos. Sente-se o cheiro a café e ouve-se o virar das páginas. Por lá ficamos, alimentando o desejo de voltar, com vontade renovada de viajar pela língua.

VII. (known the language)
This is a two way trip. The return is done by another route, faster and more immediate, which returns us to the ground. There we rest, we remember, we read. You can smell the coffee and hear the turning of the pages. We stayed, feeding the wish to return, with a renewed desire to travel again through language.

 

 

PROGRAM DISTRIBUTION:

MLP---diagrama-1

 

SITE PLAN AND SECTIONS

FLOOR PLANS

 

 

SECTIONS


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